Por: Lucas Wiliam Saura
Os testes ambientais são fundamentais para garantir a qualidade e o desempenho de um revestimento. Temperatura, umidade, ponto de orvalho e velocidade do vento estão entre os principais fatores que influenciam diretamente o sucesso de uma aplicação.
Neste artigo, reunimos os principais recursos e instrumentos utilizados nesses testes e como cada um deles pode contribuir para um controle ambiental preciso, seguro e eficiente.
Por que monitorar as condições ambientais?
Durante uma pintura ou aplicação de revestimento, pequenas variações de temperatura ou umidade podem resultar em defeitos como:
- Cura incompleta, craqueamento e bolhas;
- Alteração de brilho e cor;
- Retenção de solventes.
O controle ambiental é, portanto, parte essencial da inspeção. Ele ajuda a prevenir falhas, reduzir retrabalhos e assegurar que o revestimento atinja a performance esperada.
Temperatura: diferentes pontos de atenção
A medição da temperatura vai muito além do ambiente e inclui também:
- Temperatura da superfície, que deve estar, no mínimo, 3 °C acima do ponto de orvalho;
- Temperatura da tinta e do armazenamento, que influenciam diretamente a viscosidade e o pot life do produto.
Quais instrumentos utilizar para medir?
Medidores de temperatura de contato
São ideais para obter leituras precisas de fluídos, como tintas e revestimentos. Permitem verificar se o aquecimento com cintas térmicas está realmente atingindo a temperatura ideal, ou se o resfriamento em ambientes quentes está sendo eficaz. Muito utilizados também em laboratórios e em controle de qualidade.
Medidores de temperatura a laser (infravermelho)
Leem a temperatura da superfície sem contato direto, o que facilita medições em áreas de difícil acesso.
Modelos com diferentes faixas de leitura (até 750 °C) permitem uso em aplicações que envolvem aquecimento prévio de juntas ou chapas. Devem ser evitados em superfícies altamente reflexivas ou com presença de vapor, que podem distorcer a leitura.
Umidade e ponto de orvalho
Esses fatores definem se o ambiente está adequado para a pintura. Umidade relativa muito alta pode causar retenção de solventes, enquanto algumas tintas, como o etil silicato de zinco, dependem da umidade para curar corretamente.
Instrumentos de bancada
Compactos e simples, medem a temperatura do ar e a umidade relativa, exigindo cálculo manual do ponto de orvalho. São práticos para acompanhamento rápido e registro contínuo, como em cabines de pintura.
Termo-higrômetros eletrônicos
Modelos mais completos, que realizam medições automáticas de ponto de orvalho, temperatura de superfície e delta T, indicando se a aplicação está dentro dos parâmetros ideais. Permitem armazenar leituras e exportar relatórios via cabo.
Velocidade do vento
O vento interfere tanto na segurança (principalmente em trabalhos em altura) quanto na qualidade da pintura, podendo causar desvio do spray, contaminação por poeira ou evaporação acelerada do solvente. Medidores específicos, como anemômetros digitais, são usados para acompanhar essas variações.
Soluções integradas
Para facilitar o controle de todos esses parâmetros, equipamentos como o PosiTector DPM reúnem múltiplas sondas que medem temperatura, umidade, ponto de orvalho e velocidade do vento.
As sondas podem ser:
- Magnéticas (para superfícies metálicas);
- De contato (para fluídos ou superfícies planas);
- Remotas (com leitura por Bluetooth, ideais para áreas de difícil acesso ou monitoramento contínuo).
Esses sistemas reduzem riscos e otimizam o tempo de inspeção, especialmente em operações offshore ou em grandes estruturas.
Controle de armazenamento: um fator muitas vezes esquecido
Mesmo com inspeção e aplicação dentro dos parâmetros ideais, o armazenamento incorreto pode comprometer o desempenho do revestimento. Produtos com isocianato, por exemplo, não devem ser expostos ao calor ou à luz solar, pois podem expandir, liberar gases e se tornar inutilizáveis.
Monitorar também a temperatura e umidade no local de armazenamento é uma etapa essencial para garantir que o material mantenha suas propriedades até o momento da aplicação.
Os testes ambientais não se resumem a uma formalidade de inspeção. São etapas determinantes para o sucesso do revestimento e a durabilidade da estrutura. Com o uso correto dos instrumentos, é possível monitorar cada variável de forma precisa, reduzir falhas e aumentar a confiabilidade do processo.